
O que vimos recentemente no episódio do seqüestro das meninas em Santo André foi mais uma amostra desse circo espetaculoso armado pela mídia (leia-se 4º. poder). A cada nova tragédia a falta de escrúpulos é ainda maior.
A desgraça alheia e a miséria humana sendo transmitida 24 horas por dia “ao vivo” entre um patrocinador e outro. Isso nos dá uma clara idéia do que nossa sociedade se tranformou. O disparo fatal foi visto por milhares de brasileiros que assistiram atônitos cada movimento da polícia, dos jornalistas, dos advogados e , claro, do criminoso astro. Com toda essa palhaçada acontecendo e se tornando cada vez mais freqüente, não duvido o momento em que lojas de grifes irão mandar peças de roupa de sua mais nova coleção para que o criminoso use durante a transmissão. Marcas de carro irão ofertar o carro da fuga, a pizza pedida pelo seqüestrador terá a tampa filmada e slogans serão exibidos na parte de baixo da tela: “ Maníaco da Casa veste...”; “o carro da fuga é...”; “ a vítima do estuprador usa lingerie...”; “matou o bebê no microondas...”
Pois é, parece cômico mais é trágico, e estamos em vias disso. Soube que faltaram vagas, na semana do seqüestro, para anunciantes nos programas da tarde que transmitem por mais tempo e com mais sensacionalismo.
Enquanto a desgraça rola, nos bastidores o diretor do programa fica de olho no Ibope, e a cada novo fato uma nova chamada é feita entre um anúncio de uma máquina fotográfica mirabolante e um instituto de beleza. E isso eles chamam de cobertura, pra mim, trata-se de um trabalho realizado sob a maior sordidez humana, tão grave quanto lucrar com guerras. Outros canais de TV disfarçam e a propaganda vinculada dentro do “espetáculo televisivo” vende cada vez mais a idéia de que ter é melhor que ser;
o mundo pode desabar mas se você estiver dentro de um C4 Pallas...
(...) f****-se! Ou precisa falar...
Eduardo Ávila